domingo, 26 de abril de 2015

Diga ao povo que FIC

     Eu, declamando, entre Pedro Soares e Marco Di Aurélio
Caminhando a esmo pelas ruas de Campina Grande, um encontro. Diante de mim, parado, estupefato está Mané Cabelim. Digo, a quem não sabe, que este “desinfeliz” é cria do grande Jessier Quirino. Ainda não entendi como um cabra do quilate de Jessier se ocupa em dar vida a um sujeito tão descabido e inescrupuloso. Eu mal acabara de contatar meu amigo Marco Di Aurélio e o mundo todo já era informado do causo: ― É, eu tô sabendo que aquele baibudo tá indo poetizar em Esperança. Mai parece Ontôi Conselhero. Dizem que o Sarau de lá tá até aniversariando, né? ―, assim iniciava meu diálogo com aquele mal-acabado. Então pergunto de onde viera tal informação e ele já atalha na resposta: ― Oxi! O povo todo tá comentando. Dizem inté que ele vem com a mulé e um sujeitim metido a compositô e tocadô de viola, um  tá de Pedim!
Ali eu vi que a conversa tomara rumo tortuoso. A mulher a quem Mané fazia referência é Roseli, um dos mais dóceis seres humanos que já conheci. Pedim, por sua vez, é um estimado amigo daquele casal. Engenheiro, poeta e compositor esmerado. Eu não deveria dar margem para que aquela conversa se estendesse, mas tratando-se de Mané Cabelim, fiquei no “mato sem cachorros”. ― Eu num sei que graça tem esse negócio de Sarau. Um magote de gente sem tê o que fazê faz ajuntamento de outro magote pra jogar conversa fora ―, dizia Mané, já com instinto de provocação. ― Um homi tão defamado, bancáro apusentado do Banco do Brasí, se passá prum negóço desse, rapai. E ainda bota a pobe da mulé pra tá arriba e abaxo nesse negóço de fulerage da cultura ―. Pensei em encerrar a conversa, mas deixei fluir pra ver onde ia dar. ― Um cabra se passá pra tá em mei de fêra, tocando zabumba e dizendo velso, cuma faz aquele Marco e os cupicha dele, num deve de tá variando bem do juízo não, visse. Arreda de perto dele enquanto é tempo, senão tu vai ficá disleriado do jeitim dele ―, cutucou-me Mané.
Quando vi o rumo que tomara aquela prosa tive um lampejo de felicidade ao perguntar algo do total desagrado de Mané Cabelim: ― Tu tens visto Jessier, Mané? ―, então percebi sua inquietação: ― Homi, eu tenho pressa. Vamo mudar de assunto! ―, e lá se foi Mané. Em seguida encontrei-me com Marco, Roseli, Pedro Soares e seguimos à Esperança ao encontro de Evaldo Brasil, Rau Ferreira e os meninos sabidos do Megafone Soluções Culturais. Nosso sarau não mais engatinha, já está de pé, fez um ano! Quis o destino que um lapso ocorresse para que a festa se desse na Praça da Cultura, espaço destinado a eventos afins. Parabéns a todos que fizeram e fazem o Sarau-FIC Esperança. Quando o assunto é poesia diga ao povo que FIC.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

A chuva e o choro

Há tempos não vira tanta chuva nem ouvira tanto choro. Carecia sair do casulo com algo de muito especial. Algo tão especial quanto a chuva e o choro que Campina Grande vivenciou, ontem. Na comunicação com o amigo Evaldo Brasil havia dito que “o mundo está se acabando com chuva”. Uma tarde escura de nuvens bem formadas, prenunciava um aguaceiro daqueles! Lá do Titanic, como bem batizaram o prédio da Central de Aulas da UEPB, via-se o céu imponente e a chuva serpenteando até deitar terra afora, trazendo a riqueza tão bem anunciada em Isaías 55, 10-11.
Ao contrário do que muitos pensam não menos imponentes serpentearam as notas musicais de um choro exaltando de uma forma brilhante e glamorosa pelas mãos e sopros dos meninos sabidos do Baú do Chorinho e seus convidados. Anunciado para o Teatro Elba Ramalho, o evento ocorreu mesmo – ainda por obra da chuva − no Teatro Paulo Pontes, aconchegante como sempre. Por lá desfilaram, além de outros compositores, Ernesto Nazareth, Abel Silva e um tal Alfredo da Rocha Vianna Filho o grande homenageado da noite, outro menino sabido mais conhecido como Pixinguinha. A ele é imputado o grande mérito de haver formatado o choro (ou chorinho) nos moldes que ouvimos e admiramos.
Um pedacinho do céu! Foi no que se transformou o Paulo Pontes na célebre noite dedicada ao Dia Nacional do Choro, dia do nascimento de Pixinguinha, homenagem das mais justas pelo que este gênio representou para o choro e a música brasileira de modo genérico. Tudo isso por conta e risco de ADEILDO Pereira (bandolim); ARTHUR Arruda (cavaquinho); CLEMILSON Dantas (violão); SANDRO Félix (violão 7-cordas); RENALLY Lucas (pandeiro) e uma plêiade de músicos não menos habilidosos e comprometidos com o gênero chorinho: FERNANDO Hermes (Trompete); GLAUBER Silva (Clarinete); HERMES Filho (Saxofone); IVAN Meira (Flauta); JEFFERSON Fagundes (Cavaquinho). Mais que um evento aquilo foi um gozo!

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Um Deus risonho

Eu deveria iniciar este post da seguinte forma: Amanhã, dia 10 de abril, irei ao lançamento de "Uma superfície de gelo ancorada no riso: a atualidade do grotesco em Hilda Hilst", obra que nasce na tese apresentada pelo professor Reginaldo Oliveira Silva como exigência parcial a obtenção do título de doutor em Letras, na área de concentração Literatura e Cultura (UFPB). O evento ocorrerá às 18:30h, no auditório III da CIAc, o Centro de Educação-UEPB. Mas declinarei de toda essa formalidade cujo gênero não me apraz. Preferiria iniciar como aqueles contos pueris fazendo jus à minha síndrome, onde o narrador se esmera para chamar a atenção da criançada atenta ao que virá em forma de palavras que enchem de fantasia suas almas.
Esse Reginaldo de quem lhes falo é o tipo do adulto com alma pueril, aproveita qualquer “vácuo” em suas aulas para fazer piada inteligente, acurada e, até, sarcástica em seu melhor sentido. Então bem que poderia iniciar como uma contação de histórias infantis: “Era uma vez um professor que pensou num tema/tese de doutorado. Aí ele buscou em Hilda Hilst, uma discussão sobre recepção e o fluxo do grotesco, tomando como corpus literário Contos d’Escárnio/Textos Grotescos, daquela escritora, fundamentando-se na estética da recepção, elaborada pelo escritor alemão Hans Robert Jauss, outro menino sabido, um dos expoentes da estética da recepção, cujos fundamentos estão na própria crítica literária alemã”.
Também não sairia, decerto, ao agrado de Reginaldo. Ele gosta mesmo, apesar daquele jeito sério, metódico é de sorrir e provocar risos. Talvez por isso tenha escolhido o historiador Georges Minois em um dos pensamentos que surgem, por assim dizer, como prólogo: “Tendo rido Deus, nasceram os sete deuses que governam o mundo. Quando ele gargalhou, fez-se a luz. Ele gargalhou pela segunda vez: tudo era água. Na terceira gargalhada, apareceu Hermes; na quarta, a geração; na quinta, o destino; na sexta, o tempo. Depois, pouco antes do sétimo riso, Deus inspira profundamente, mas ele ri tanto que chora, e de suas lágrimas nasce a alma. O universo nasceu de uma enorme gargalhada. Deus, o Único, qualquer que seja seu nome, é acometido – não se sabe de que – de uma crise de riso louco, como se, de repente, ele tivesse consciência do absurdo de sua existência”.
Gosto de imaginar o mundo (ao contrário do que muitos pensam) como o quintal de minha casa tendo um Deus risonho a contemplar todas as minhas peripécias. Um Deus que só saiba contar até um, Deus criador dos homens, jamais o Deus que os homens criaram e, até, matam em nome dEle!

quarta-feira, 8 de abril de 2015

A fã e o poeta

           A fã Simone Gomes e poeta Manoel Monteiro
Ela estava na Feira Central, em Campina Grande, quando deu de cara com o poeta. então se apressou em perguntar se era ele mesmo que ali se encontrara, à sua frente. O poeta, claro, assentindo positivamente e já emocionado, contempla aquela jovem que acabara de demonstrar conhecimento e admiração por seus versos em cordel:
— E como você, assim tão jovem, me reconhece?
 Reconheço sim, sou fã do seu trabalho como poeta!
E que fã ali se revelara ao poeta cordelista que, embora nascido em Bezerros, agreste pernambucano, adotou Campina Grande como lugar de morada e “ganha pão”. Simone Gomes, nunca soubera Manoel Monteiro, foi atriz revelação do teatro campinense, em 2015; é estudante de violino no Departamento de Arte da UFCG; graduanda do penúltimo período de Filosofia-UEPB e, acima de tudo, amante incondicional da literatura de cordel.
Conhecendo como conheci o poeta Manoel Monteiro fico imaginando aquela cena passada em meio de feira, algo tão decantado pelos poetas daqui e de alhures. Pois foi justamente na feira em que se dera aquele reconhecimento, uma homenagem a quem vive da arte em um mundo que lhe nega o apreço merecido. Ele, certamente, ficou muito emocionado. Tinha uma ligação de amor com a arte que cultuava. A literatura de cordel era uma extensão do seu corpo, por assim dizer.
Conversa vai, conversa vem, eis que ouço um “peraí que tenho algo a te mostrar”. E já vem de volta Simone, minha colega (de primeira hora) da Filosofia-UEPB, com um livreto de cordel. Abre-o e mostra uma dedicatória tão modesta e grandiosa quanto seu autor. Aí desaba a contar como se dera aquele encontro com o saudoso poeta sem esquecer o comentário: “Um mês depois o poeta se foi, fiquei muito triste”. Naquele cordel o poeta Manoel Monteiro faz menção a Zé da Luz, batizado Severino de Andrade Silva, paraibano de Itabaiana e imortalizado em Brasí Cabôco, Ai! Se Sêsse!... e As flô de Puxinanã (Paródia de As "Flô de Gerematáia" de Napoleão Menezes). Então Simone me sugere a leitura dos versos à pagina 2. Eu, de “cor e salteado”, tento declamar: “Três miué ou três irmã, / três cachorra da mulesta / eu vi num dia festa / num lugá Puxinanã...”.

terça-feira, 7 de abril de 2015

A chuva caiu

          Chuva: sinfonia orquestrada
Caiu na boca do povo! Caiu nas ruas, nas praças, nos sítios. A chuva caiu no telhado, nas calhas e desceu até a cisterna. “Choveu na minha horta”, frase que deve ter sido repetida nos recantos de Esperança e circunvizinhança. Foi daquelas chuvas que alagam ruas e enchem as almas sedentas dos lavradores que a esperavam faz tempo. Eu, mesmo precavido ou amedrontado pela ação de um possível raio, saí dançando na chuva. Banhei-me debaixo daquele aguaceiro carregado de uma esperança pluviométrica.
Voltando para casa apresso o passo. Vejo nos olhares o prenúncio de festa, uma certeza de que a vida fluirá irrigada em solo fértil. As sementes darão brotos do futuro pão. O verdume da plantação está em nossa imaginação e a invernia que se apresenta no outono é como dádiva caída em forma de gotas com enorme precipitação. Eu me precipito em um palpite. Estou certo de que a colheita será farta, ainda que tardia na concepção de quem é do batente. Dia de São José já é passado, mas água é água e caída do jeito que caiu nos basta para ter fé no trabalho, semeadura e colheita.
Em dias de chuva, após espaçosa estiagem, não há como não lembrar do meu pai, Seu Soares, com sua alegria e os aboios em saudação à água tão aguardada quanto bem vinda. Ehhhhhhhhh, ehhhhhhhhh, ô boiada: A chuva cai no telhado / Trazendo água pra gente / Cai em pé, corre deitada / Como música plangente / É sinfonia orquestrada / Pego semente e enxada / E a terra sorri contente / ehhhhhhhhh!

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Eu sou de um tempo...

Uma séria brincadeira é proposta lá no evaldobrasil.blogspot.com.br e nessa onda embarca também Ao contrário do que muitos pensam, na perspectiva de que muitos pensam ao contrário. Então vou reproduzir na íntegra o que diz Brasil e, em ato contínuo, darei minha versão para o que está posto. A ideia é refletirmos sobre alguns aspectos tão importantes quanto banais só dependendo do ponto de vista dos que leem e interpretam.
Seguirei a ordem proposta pelo blog do confrade iniciando com “Eu sou de um tempo... em que um prego reciclava a única sandália de dedo já hoje posso escolher entre a de dedo, a de arrasto, a fechada...”. Ah! Como aproveitei correias partidas por motivos variados, sendo que o mais comum era o uso exacerbado daqueles calçados, mesmo que a propaganda as anunciassem como “As legítimas...”, não havia como aguentar o tranco por tanto tempo. Lembro aqui que a tal propaganda ainda alardeava: “Não solta as tiras nem tem cheiro!”. Anotem “Sou de um tempo... em que não se podia votar para governador ou presidente, já hoje posso até pedir impeachment”. Os presidentes eram generais escolhidos à revelia de nós, reles mortais. A partir de 1966 os governadores, senadores e prefeitos de muitos municípios, também eram escolhidos por quem podia tudo e essas anomalias se chamavam biônicos. Tudo às escuras na ausência de sufrágio universal, o popular voto. 
Os tempos mudaram, pelo visto. Traz o blogspot de Evaldo Brasil mais um “Eu sou de um tempo... em que a feira livre era saqueada ano após ano pelo flagelo da seca e da fome já hoje posso escolher entre alimentos”. Estava em Princesa Isabel à espera de Dom Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife. Momentos antes de sua entrada à cidade ouviu-se um burburinho de gente. Em seguida a notícia que a feira fora saqueada. O padre José, como gostava de ser chamado Dom Hélder, chegara em meio àquele tumultuo, no início da década de 80. “Eu sou de um tempo em que arroz e galinha era comida de festa ou domingo... já hoje é alimento diário”. Quem não se lembra de um convite nos termos: “Passa lá em casa pra comer uma galinha gorda no domingo”. Arroz, hoje, se come em “banda de lata”. Mamãe preparava a lancheira com todo esmero, entendam o porquê: “Eu sou de um tempo... em que se levava pão com banana pra escola... já hoje a merenda (escolar) se define por nutricionista”.
Decerto que os tempos muram, sim. Atalho as “provocações” de Evaldo e vou aos pontos finais: “Eu sou de um tempo... em que a inflação beirava os 99% por mês... já hoje não chega a 9% por ano e causa comoção”. Contextualizando nosso umbigo, temos “Eu sou de um tempo... em que Esperança realizava uma grande obra a cada dois mandatos governamentais... já hoje Reforma, Ginásios, Creches, UPA, IFPB, Vila Olímpica...”. Só para lembrar que eu sou de um tempo...

domingo, 5 de abril de 2015

Instinto materno

        Mamãe Coca: esperteza, cuidado e doçura!
Achei que ela quisesse comida, servi! Percebi que estava farta, ofereci meus cafunés só aceitos por instantes. Do nada, como se perseguisse uma presa, ela fez “finca-pé” e saltou dois muros, subiu ao telhado e sumiu. Passei a manhã de ontem na espreita e em busca do seu paradeiro. Como pode tanta estripulia estando prenhe? Aliás sua prenhez foi percebida por uma amiga que nos visitava. Até então se chamava Caco pelo meu total desconhecimento no que concerne aos meandros da vida felina.
Somente à tardinha, ao ouvir miados, após tanta procura, me ocorreu que Coca estaria no telhado. Como poderia se lá estive? Mas os miados minguados dos filhotes tinham endereço, vinham do telhado sim, bastava que investigasse minuciosamente. Fui atrás e não deu outra. Não estavam lá, mas no sótão, bem num recanto, como que se precavendo de situações adversas aos filhotes. Cuidei, então, de investigar sobre aquela situação. Ela, prenhe, com tanta mobilidade e ainda se embrenhando por entre as telhas, era algo que não imaginara.
Confesso, aqui, o absurdo que cometera nesta manhã de domingo. De posse de escada subi ao telhado, afastei telhas, resgatei as crias. Antes, com todo consentimento, havia retirado a mamãe gata do sótão, atraída por comida numa bacia plástica com cobertas macias. Deixei-a em lugar seguro e cuidei do tal “resgate” dos filhotes. Decepcionado vi o ato atroz que cometera. Coca, aos miados, pôs uma das crias entre os dentes, subiu dois muros, rumando de volta ao sótão. Aquele ato poderia ser corrigido, imaginei. Rápido subi ao telhado e repus os três gatinhos no lugar exato onde estavam. Lá já estava a mãe com sua cria já acarinhada. Fiquei com “cara-de-tacho”. Sob seu olhar desconfiado devolvi seus filhotes como se me redimindo estivera.
Saí em busca de socorro e logo consultei o Dr. Goolge. Lá encontrei uma variedade de respostas e, dentre elas, a que aqui apresento: “A mãe prepara com antecedência um leito macio e confortável num lugar tranquilo. Seu instinto faz com que ela esconda a prole de modo que o pai não descubra, pois ele não hesitará em devorá-la”. Mãe cuidadosa, pai sanguinário! Ali está a prova do extinto materno com desmedida esperteza, cuidado e doçura!

sábado, 4 de abril de 2015

Era o que faltava!

Hoje eu não durmo, embora muitos pensem ao contrário!
Esse Evaldo Brasil não tem mesmo o que fazer! Através dele descobri que desponto em primeiro lugar na corrida com destino a lugar nenhum! E levo comigo um “mói” de gente interessante. Parece até aquela Wacky Races “Corrida Maluca” série de desenho animado de televisão produzida pela Hanna-Barbera.
Taxativamente afirma Evaldo: “Não há dúvida que os blogs são uma nova onda de manifestação de ideias, gostos e práticas. De fácil manipulação, seus recursos permitem à produção de qualquer um modestamente ligado a esse recurso ser apresentada àqueles que se afinem. Minha praia, arte, história e cultura de Esperança, manifesta também no Boletim Virtual Lautriv Mitelob e nos Saraus do FIC (Fórum Independente de Cultura) me levou ao Blogômetro...”. Então Evaldo elenca Ao contrário do que muitos pensam (Carlos Almeida Jerimum); Frases Abertas (Karl Marx Valentim); O mundo e suas voltas (Ana Débora Mascarenhas); eBrasil: iniciaiC49 (Evaldo Brasil); Revivendo Esperança (João B. Bastos de Patrício); Conversando (Angelo Rock); Estudar e Sonhar (Hauane Maria); Luciana Filmagens e Marcos Fotografia (Luciana e Marcos); RDUARTE fotoamadorismo (Sérgio Ricardo Duarte);  Esperança de Ouro (Jailson Andrade); O Sentinela (Egberto Vital); História Esperancense (Rau Ferreira); Andrade Notícias (Jean Cláudio de Andrade); Folha de Esperança (Otílio Rocha); Liga Esperancense de Futebol (Manoel Henrique Rochinha); Esperança Esportes (Fábio Celestino); Internesp (Marquinho Celestino); Radar Político PB (Rodolpho Raphael), com ressalvas a Belarmino Notícias (Isabele Roxa) e Quero Mais (Marquinho Pintor/AAQM). Acessem e valorizem cada um dos aqui citados.
Ao contrário do que muitos pensam é este trabalho de formiguinha, feito por abnegação à arte, cultura e história desse torrão Esperança que faz de Evaldo o baluarte na defesa do que há mais importante nesse espaço geográfico compreendido como Esperança: A vida que nela pulsa! E disso se ocupa, muito bem e com toda propriedade, o confrade Evaldo Pedro Brasil.
Iniciei brincando, estilo que muitos conhecem, mas não é o fato de haver sido apontado no topo da lista, mas constar numa lista de uma gente que se preocupa em historiar vivências, algo que a posteridade dimensionará o verdadeiro valor: Era o que faltava!

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Uma paixão de Esperança

         Paixão de Cristo: uma paixão de Esperança
Digna de qualquer público! Foi a expressão que usei ao parabenizar todo o elenco do Grupo Teatral Jesus de Nazaré, em sua 16ª encenação do espetáculo “A Paixão de Cristo”. Vivido e rodado pelo mundo das artes tenho assistido a uma variedade de espetáculos, principalmente ao ar livre – desses que não se paga para se ver e se deliciar – brasis afora. No formato que acabo de assistir tive aquela sensação de ineditismo. Arrojada, corajosa a montagem “bancada” por Andre de Oliveira Costa.
O melhor de tudo isso é sentir a plateia degustando o espetáculo, se apropriando daquilo que já julga como seu. É isto que essas meninas e meninos sabidos significam para seus irmãos esperancenses. E eu ali, no meio daquela gente sedenta de arte, emocionado com o que via e sentia. Não é fácil conciliar tantas particularidades em um grupo tão numeroso de atores e figurantes e ter um resultado surpreendente, pelo menos para os que não vivenciam o dia-a-dia dos bastidores daquele elenco. Antes de uma cena, luzes apagadas, faço a leitura labial do ator Andre (Cristo) dando a deixa ao centurião que o levaria até o rei Herodes: "É tua hora, vai, entra!".
A grande sacada – e ainda ouvi comentários desaprovadores – foi contaminar e encantar a todos com um musical. O espetáculo ganhou brilho e, como dissera antes, originalidade. Coisa nada fácil, primeiro porque há aí uma quebra na “tradição” que ninguém põe em risco apenas por arriscar. Há que se ter clareza no que se pretende fazer e contar, acima de tudo, com os elementos necessários para ousar. “Uma paixão de Esperança”, sem tirar nem por! Nada fica a dever a qualquer espetáculo do gênero pelo mundo afora.
Estão de parabéns todos que de alguma forma contribuíram para o êxito dessa Paixão de Cristo inovadora. Diretores, atores, técnicos, figurantes e o público presente às três encenações dessa versão 2015. Aos patrocinadores fica a lição de que Arte é feito pão que nos alimenta todo santo dia. Ou, se queira, semanalmente: É pão que alimenta a alma, sustentáculo do corpo.

Escritos a esmo

"Continuo caminhando desapercebida por olhares que me prenderiam"
Naquela tarde, em meio ao expediente, na sala de trabalho me abstraí procurando entender as razões daquele pensamento. Em minha síndrome pueril viajei como se em algum parque estivera, absorto em meio a arvoredos e conjecturas buscando algo que se assemelhasse àquele texto. Teria sido retirado da Internet? Cá com meus botões, imaginei. Nada parecido havia por lá, mas muito próximo encontrei (https://isabelamenezes.wordpress.com/):
“Mais um dia sem sentindo foi se passando por entre os meus dedos à medida que eu me perdia um pouco mais de você. Todas aquelas palavras misturadas com o nada foram o suficiente para me fazer entender que sem você o meu mundo é mais escuro, porém cheio de cor. Outra noite para pintar de escuridão as sombras que ficaram sobre os meus olhos, deixando-os tão limpos quanto a água em que lavo o meu rosto no fim de todas as semanas. Dar passeios pelas ruas cheias de pessoas que me esforcei para esquecer, quando em um cálculo infindável – e irrefutável – me entreguei a um mundo a que não possuía, repleto de seres que me levaram até o último suspiro. Ser aquela que é, mas não ser aquela que tem. Para ser e ter, enfim, o que puder de você. Desejar todos os dias que aquele seja o primeiro e também o último, para que o tédio não tome conta de mim, mas para que o ódio seja apenas mais um amigo nessa estrada que percorro. Ser repetitiva ao ponto de ser cansativa. Repentina ao ponto de ser lida. E ser lida até não poder mais. Porque sou amor, ódio, mas não paixão. Sou tudo nesses minutos, nessa quebra de padrão. Por ser uma apaixonada e não ter um amor. Para assim, enfim, ter em mim o que não pude ter em você”.
A frase que mais se aproxima está acima, em negrito. Mas quem seria a autora daqueles breves rabiscos guardados em um volume e numa prateleira qualquer de biblioteca? Aquele enigma permanecerá naquela folha rabiscada: Quem seria ela?!

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Uma meia mentira

Diogo e Silvestre Batista: matando saudades
- Carlos, eu queria ver Diogo! Como será que ele está?
- Diogo está em João Pessoa. E está muito bem!
- Será que ele ainda canta daquele jeito?
- Claro que canta. Ele canta até na Internet!
- Na Internet! Como é isso?
- Vamos ver Diogo cantando?
- Vamos, eu quero ver.
Então aparece Diogo Batista, não estando mais conosco, com aquele vozeirão tão peculiar:
- Noooooooooossa como ele tá forte, rapaz. E a voz continua a mesma!
- Pra o Senhor ver, né!

Eles eram (quase) inseparáveis. Silvestre e Diogo engrossavam as fileiras da família Batista. Tinham uma paixão muito especial pela música e nutriam admiração mútua. Silvestre era o alfaiate que o primo admirava, Diogo o seresteiro de voz inigualável. Era aquela rasgação de seda quando se ouvia um comentado sobre o outro. Bonifácio Chuá-chuá sentia ciúmes, posto que era, também, companheiro (quase) inseparável de Diogo e irmão de Silvestre, mas “desaprovava” aquela amizade tão estreita como se sobrasse nas entranhas daquelas relações consanguíneas. Certo mesmo é que eles viveram uma época em que primos eram meio irmãos ou mais que irmãos, coisa que se perdeu nos tempos.
A verdade é que eu vivenciei gratificantes momentos na convivência com ambos. Os ensinamentos silvestrinianos e o saboroso convívio com Diogo, principalmente, quando se tinha um violão como companhia. Aí as tardes/noites encurtavam com música e boa conversa, algo que os dois muito bem compartilhavam. Diogo com sua voz grave e melodiosa, Silvestre com passagens pitorescas da vida longa que vivera, compunham imperdíveis momentos de descontração em meio aos amigos e familiares sempre chamados e juntados ao desfrute.
Certo dia sou provocado com um insistente convite para fazermos uma visita a Diogo. Aquele Batista estivera em tratamento sério de saúde lá pras bandas da capital. Havia voltado de Jampa fazia pouco. Ninguém, no entanto, informara a Silvestre sobre o estado do primo. Mas ele insistira naquela visita. Senti-me em saia justa, não podia negar nem comentar a verdade. Então a visita se deu e a conversa correu solta sem que soubéssemos ser a última. Uma semana após Diogo não estava mais conosco. Passados alguns dias mais um convite e, uma vez mais, uma meia mentira se fez necessária para poupar lágrimas e sofrimento. E, de certa forma, conseguimos!